Chama-se assim nem sei por que, mas é um nome bem conveniente ao que és, talvez por ser grande, por ocupar o espaço que os outros deixam em mim, eu nem sei se é amiga bem vinda, mas sempre está por perto, acompanha cada choro meu, acompanha cada desespero, cada grito que os outros não ouvem, cada coisa minha que não sai de dentro, mas é uma amiga que fica de longe, nunca veio ao meu encontro, nunca me abraçou, nunca enxugou minhas lágrimas, apenas esteve ali… me observando, vendo o quanto preciso de algo que não tenho; talvez esse “ão” que a completa seja para intimidar os demais, pois ela me faz enfraquecer, fico mais vulnerável ao externo, tirou minha camuflagem, antes ela se fazia presente apenas no meu particular em momentos que encontrava-me, mas se tornou impertinente e encontra-se agora em qualquer canto que eu vá, qualquer canto mesmo, vejo-me cercado de pessoas, cercado de palavras, cercado de um tudo vendo apenas um nada, procurando por algo que sei e não sei o que é, sendo algo que ou disfarçando ser, assim tudo bem confuso mesmo, e ela continua ali, eu não a convido mas há de vir sempre, — Aparta-te de mim, maldita inquilina Solidão —. Volto aos meus aposentos e continuo a debruçar-me diante dela, mesmo que eu não a queira por perto, mesmo que sua presença traga a ausência, mesmo que sua falta faça doer, continua sendo a única que continua comigo mesmo em meus momento mais oriundos ao bom ser que um dia costumei ser.
Agora o que me deixou boquiaberto foi quando soube da vinda de outras amigas suas, tão impertinentes quanto, vinham sem permissão e abrigaram-se em tudo que deviam, até em meu coração, foi aquelas suas velhas parceiras: Decepção, Tristeza e Indecisão, vieram e vieram pra ficar, habitam por aqui há bastante tempo já, e pelo que vejo não querem sair tão cedo, e sinceramente? Isso está acabando comigo, mas dentre todas essas amigas que vem e acompanham-me todos os dias — prefiro —, pois teve um amigo, um que veio e me encantou, veio e me roubou sorrisos, veio e me trouxe felicidade, veio e me trouxe promessas de uma vida doce, cheia de flores pelo caminho… mas esse quero longe; me deixou sem mais nem menos e levou consigo todos os sorrisos, toda a felicidade que um dia em mim habitou — a… desculpem-me, esse amigo chama-se Amor, e de mim o quero longe —, mas agora só tenho medo que ele volte e faça de novo o mesmo estrago.

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