Hoje eu acordei com uma dose de desespero cravada no peito. Nem eu, tão acostumada com cada uma de minhas reações, deixei de me surpreender… eu estava me perdendo. Na verdade, ainda estou decidindo se o desespero veio como forte consequência por estar me perdendo dentro de mim, ou estar me perdendo dentro de ti. Essa dúvida tem me enlouquecido aos poucos, e um pouco mais a cada dia.
Não sei se me perco em ti, e me entristeço por saber que estás indo embora. Não sei se me perco em mim, por ter a certeza de que no fundo, eu nunca tenha realmente encontrado o meu lugar. Nem minhas poucas, outrora muitas palavras, me satisfazem mais. Nada me convence, nem sequer minhas próprias mentiras. Não deveria, não poderia, e mesmo assim fiquei presa. Prendi-me na ilusão de que estarias aqui quando eu acordasse, que estenderia tuas mãos como uma vez prometeu fazer. Penso que parte da minha loucura, se faz da tua ausência… o que não faz sentido algum, já que nunca pude de fato provar da tua presença.
Perdi-me nas incontáveis vezes que pedi pra que fosses embora, e nas outras em que implorava para que voltasse. Hoje eu só peço para que fique um pouco mais… Deixe-me provar mais uma vez do doce encanto das tuas palavras. Eu quero poder me envolver outra vez no teu perfume enquanto me perco suavemente em cada carinho teu que me é cedido. Insisto um pouco mais, para que não vá embora outra vez… pois o calor dos seus abraços e o aconchego do teu olhar, são os únicos lugares em que o desespero não me alcança, e que mesmo com parte de mim ainda perdida, eu sei que posso me encontrar.

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